O propósito de ser professor

A busca por equilíbrio financeiro e conforto material está presente na vida de todos nós. Muitas vezes, atribuímos a ela a esperança de vivermos bem e felizes. Mas nem sempre isso é o suficiente. Foi o que aconteceu com a professora Jaqueline Loureiro dos Santos, de Porto Alegre (RS).

Apesar da estabilidade alcançada com a atividade que desenvolvia, havia um vazio que precisava ser preenchido .”Eu não me via fazendo alguma coisa para esse planetinha azul”, diz a educadora, que encontrou na sala de aula o propósito que buscava.

Sensível e atenta ao momento mais efetivo de retorno presencial das aulas, percebe que as crianças voltam sinalizando de diversas formas a solidão e os desafios enfrentados durante o período de distanciamento social. Agressividade e ansiedade, além da dificuldade de ouvir o outro são manifestações do que viveram nos últimos dois anos, segundo a professora.

Para acompanhar mais reflexões sobre o retorno às aulas e o papel do professor, confira a entrevista completa aqui.

O que move um professor?

O que faz com que o professor não queira sair da sala de aula? Muitas vezes, em função da desvalorização da profissão, muitos ensaiam outras atividades, mas, em pouco tempo, voltam à escola. Para a professora de Santo Ângelo (RS) Maria Angélica de Brum da Silva, a responsabilidade dos educadores e a consciência da importância que têm na formação das crianças são mobilizadoras de uma energia que alimenta estar em sala de aula.

Ela lembra que todos nós, independentemente de sermos professores, temos educadores como referência na nossa trajetória, e isso é o grande valor da atividade. Por isso, reforça a importância do estudo e do aperfeiçoamento constantes – necessários para o bom desempenho da profissão. “Não posso ficar apenas no dom, na vontade de fazer – tenho que sempre buscar condições para melhorar”, afirma convicta a professora.

Outro fator que nutre a permanência do professor em sala de aula são as crianças. “Quando estou envolvida com um projeto, envolvida com as crianças, isso me motiva, me enche de vida”, afirma com brilho no olhar.

Se você também ama a sala de aula, confira a conversa completa com a Maria Angélica, aqui:

A sutileza com os bebês em sala de aula

A intenção nas práticas pedagógicas com bebês é uma constante na rotina da professora Isabella Coelho dos Santos, de São José dos Pinhais (PR). Ela está presente desde o acolhimento do bebê, quando chega na instituição, até a entrega para as famílias, no final do dia – tudo é pensado, planejado e tem uma intencionalidade.

Ao contrário de uma ideia ainda vigente na sociedade, as escolas infantis, ou centros de educação infantil, são mais do que locais de cuidado. Para a professora, é um direito dos bebês estar nesses espaços educacionais. Associado a esse entendimento, há um preconceito ou falta de compreensão sobre a importância da formação dos educadores desses espaços. “Muitas vezes, me perguntam – mas por que curso superior para cuidar de bebês?”, relata Isabella.

Desmistificar esse olhar equivocado é um trabalho fundamental para a professora, que conversa com as famílias sobre a importância dos centros municipais de educação infantil. Se você também se interessa pelos desafios da educação infantil, confira a conversa completa com a educadora aqui:

Pedagogia da vida prática

Como transpor os projetos e a pesquisa para a realidade online? Em busca de respostas para essa indagação, a professora de Camaquã (RS), Cristiane de Ávila Lopes, propôs, durante a pandemia, a realização de tarefas cotidianas de forma virtual e compartilhada por todos. Com isso, envolveu as famílias e criou momentos de pura integração, como no chá feito por videoconferência. Cada aluno e seus familiares prepararam chá, bolo e o que tinham em casa para compartilharem um momento coletivo de troca e aprendizagem.

Para a professora Cristiane, foi uma oportunidade de exercitar a presença, mesmo que de forma virtual. “Muito além do conteúdo, nossa preocupação era com a solidão e a tristeza de muitas crianças” e, segundo ela, a realização desses encontros como chá, tertúlias, festa julina e outros foi fundamental para a manutenção do vínculo com seus alunos.
Vínculo com crianças e com as famílias, que devem perdurar mesmo com o retorno das atividades presenciais. Cristiane acredita que esse elo foi criado e intensificado, e essa é uma das grandes reflexões feita pela escola – “nós não conhecíamos tanto a realidade de nossas crianças, suas casas e suas condições de vida, e o online nos proporcionou isso.”

Confira mais ideias inspiradoras da professora Cristiane, na conversa com Christiane Ostermann, aqui:

A tecnologia como parceira do professor

Com a pandemia, o uso da tecnologia pelos professores se intensificou da noite para o dia. Desafiador para muitos e um mistério para alguns, ele veio para ficar. Mesmo com o retorno presencial às escolas, pode ser um grande parceiro dos docentes. Essa é a opinião do professor de Passo Fundo (RS), João Ricardo Fagundes dos Santos, que o defende pelo fato de fazer sentido para os alunos e propiciar experiências bastante significativas. “Nossos alunos são nativos digitais, já nasceram com essa realidade – faz parte do mundo deles.”

Por isso, o professor João Ricardo dedica-se a pesquisar metodologias e projetos que tragam a tecnologia para a sala de aula e sejam atividades significativas para os alunos. Dentre as possibilidades, para alunos de Ensino Médio, trabalhar com redes sociais e discutir o fenômeno das Fake News e, ainda, desenvolver habilidades linguísticas e de expressão é uma das propostas do educador. Para os mais jovens, o professor sugere o trabalho com jogos que pode oferecer diversas oportunidades de aprendizagem. Segundo o professor, o uso da tecnologia aproxima o aluno da escola, pois faz parte dos interesses deles.

Para inspirar outros professores e, principalmente, compartilhar o resultado de suas pesquisas, João Ricardo criou o site www.gg.gg/joaor, onde disponibiliza dicas, ferramentas e ideias sobre o uso da tecnologia em sala de aula. Se você também se interessa pelo tema, dê uma olhada no site e confira também a entrevista com o professor aqui.

Uma escola que vivencia valores

O papel da escola tem ganhado cada vez mais relevância, especialmente quando tratamos de crianças em situação de extrema vulnerabilidade social. É na escola que eles vão interagir, receber cuidado e, principalmente, vivenciar valores. Para a diretora da Escola Estadual de Ensino Fundamental Matias de Albuquerque, de Porto Alegre (RS), a instituição é muito potente quando oferece um olhar diferenciado.

Um dos grandes diferenciais apontados pela diretora está na educação ambiental que, para ela, não pode ser apenas uma disciplina dissociada do dia a dia da escola. “Educação ambiental é o que comemos, são as embalagens, os resíduos – tudo!” Mais do que informações teóricas, aposta na mudança de hábitos e na reflexão sobre as atitudes mais simples. Uma prática que a acompanha é realização de hortas, as quais propiciam, no contato com a terra e com o cuidado com as plantas a disseminação de muitos valores. “Quem cuida de uma planta, cuida do outro”, celebra Cláudia.

O cuidado e o respeito são valores caros para a Matias de Albuquerque. Para desenvolver a concentração, o foco e o conhecimento de si mesmo, as crianças praticam meditação regularmente. Olhar para dentro também é cuidar de si e, como disse a diretora, quem cuida de si, cuida da planta, cuida do outro e cuida da sua escola.
Se você gostou das ideias da Cláudia, assista a conversa completa aqui: