Mudando o mundo em Tatuí/SP

Em agosto deste ano, o MudaMundo esteve na cidade de Tatuí, em São Paulo. A partir da oficina de sensibilização, as educadoras foram encorajadas a compartilharem conosco histórias marcantes que mostram que a transformação social é possível a partir da sala de aula. São diferentes histórias, projetos e ideias de atividades que colocam os valores do MudaMundo em prática e podem gerar novos desdobramentos, multiplicando a nossa ideia de que “a mudança está na gente, é só começar.”

A professora Fabiane de Almeida, narrou como a atenção dedicada a uma aluna transformou a sua postura em sala de aula e diante da vida. “Na segunda semana em que eu estava com eles, fiz uma brincadeira sobre as profissões e, de mesa em mesa, fui conversando com cada aluno e motivando cada um a seguirem em frente. Mas, para minha surpresa, quando cheguei a uma das mesas, encontrei uma aluna muito quieta. Quando perguntei o que ela gostaria de ser quando crescesse, ela me disse que não queria ser nada. Fui conversando com ela e, aos poucos, ela foi se abrindo comigo.” A aluna estava vivendo o luto da tia, em silêncio. Com o olhar cuidadoso da professora, ela conseguiu se abrir e, aos poucos, voltou a participar das atividades da sala de aula, fez novas amizades, retomou os desenhos e a escrita.

Já na EMEI Prof. Maria Cristina Ferrão, a professora Marilise Aparecida desenvolveu o projeto “Valores e virtudes na escola”. A partir da leitura de diferentes obras infantis, de contos e fábulas, foram debatidos temas como as atitudes dos alunos no cotidiano, em sala de aula e em casa, e seus comportamentos diante de algumas situações. Um dos eixos norteadores foi o tema sentimentos, conversando com os alunos sobre ficar triste, sentir raiva, sentir medo e ficar feliz. Os alunos desenharam, criaram textos coletivos e cartazes com palavras e ilustrações que refletissem sobre as situações discutidas. Ao final do projeto, o material foi exposto aos familiares e a professora, a partir disso, acompanha diariamente as transformações nos comportamentos dos alunos.

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Projeto Valores e Virtudes na Escola

 

Na EMEF Prof.  Teresinha Barros, a professor Mônica Gramasco colocou em prática um trabalho sobre o meio ambiente.  “Refletimos sobre o problema que a nossa sociedade enfrenta por causa do lixo descartado sem nenhuma responsabilidade e que polui o nosso planeta. A partir desse tema, comentamos e observamos o lixo deixado no pátio da escola, pelos colegas, após o recreio”, conta. A atividade foi desenvolvida com a leitura da história Ai que nojo!, do livro MudaMundo. Durante uma semana as crianças trouxeram material reciclável, como garrafas pet, caixas de leite e outras embalagens, para a sala de aula. Com o material foi proposto um dos jogos colaborativos do Caderno de sugestões para o Professor – Volume 2, a brincadeira Vamos limpar nosso lago?. “Desenhamos um “lago” e demos a ele o nome de Teresinha. Colocamos o lixo dentro dele. As crianças, que estavam do lado de fora do círculo, jogavam a bola ao centro para retirar o lixo que estava poluindo o lago.” A atividade foi realizada dentro da sala de aula e depois no pátio da escola. O resultado: “As crianças gostaram muito da atividade e agora ficam observando e relatando quando veem pessoas jogando lixo no lugar errado”, comemora Mônica.

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Vamos limpar nosso lago?, na EMEF Teresinha Barros

A professora Gisele Halcsick resolveu engajar a família na vida escolar dos alunos. Criou um grupo nas redes sociais e incentivou os pais, irmãos e demais familiares que compartilhassem fotos ou vídeos dos alunos fazendo a diferença. “Recebi muita coisa boa e relatos das famílias que me deixaram muito feliz.” Em sala de aula, Gisele enfatizou as atitudes para mudar o mundo e convidou os alunos a plantar mudar no pátio da escola. Foi só alegria!

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Plantio de mudas no pático da escola

A professora Rita Braz também encorajou os alunos com um projeto de horta. As crianças ajudaram a cuidar do canteiro, plantaram, cultivaram, colheram e saborearam. Após levaram embora uma muda de salsa para cuidar em casa. O projeto foi apresentado aos pais, esperando que o resultado seja a conscientização por uma uma alimentação mais saudável.

Outro projeto que envolveu a horta da escola foi o da professora Jocemari Ribeiro, da EMEI Yolanda del Fiol. Porém, antes de chegar à horta, foram trabalhadas em sala de aula as história Tudo começa em casaSerá que é uma bruxa?, do livro MudaMundo. O projeto transversal trabalhou a relação dos alunos com os pais e o respeito às diferenças. Depois da leitura das histórias, os alunos fizeram desenhos que respondessem à pergunta “O que eu posso fazer para mudar o mundo?” e brincaram de “um, dois, três: sentar!!!”, uma das sugestões do Caderno de Atividades para o Professor – Volume 2. “No início, foi difícil para eles conseguirem se dar conta de que precisavam uns dos outros para conseguir fazer a brincadeira dar certo. Mas com as tentativas perceberam que precisavam sentar todos juntos”, conta Jocemari.

Um, dois, três: sentar!!!

Um, dois, três: sentar!!!

Um relato sobre inclusão

“Este relato inicia-se numa tarde de 2005, Vale dizer que tudo aconteceu porque a professora da 1ª série afastou-se por licença médica e a diretora da escola incumbiu-me de assumir a turma por aproximadamente quinze dias. Na oportunidade, fez questão de lembrar que era uma turma considerada muito boa e que minha tarefa se resumiria em dar continuidade ao trabalho da professora licenciada, sem deixar diminuir o rendimento que a turma já vinha apresentando. Assustada diante de tal responsabilidade me senti desafiada e aceitei a substituição temporária.
O primeiro dia transcorreu sem maiores problemas, a não ser por um menininho que sentava na primeira carteira da fila e que se limitou a me olhar fixamente durante a tarde toda, sem esboçar nenhum tipo de emoção ou reação. Já tinha lido e estudado sobre inclusão na minha graduação em Pedagogia. Confiante nos conhecimentos que a universidade havia me oferecido a respeito, fui verificar, em seu caderno, o registro da aula do dia e os conteúdos trabalhados pela outra professora. Qual foi a minha surpresa ao perceber que o seu caderno estava praticamente em branco e, da minha aula, não havia nem sinal de qualquer esboço de registro.
Preocupada perguntei o que fazer diante dessa situação desconfortável e como resposta ouvi que era só dar uma folha e lápis de cor, que ele adorava passar a tarde desenhando. Saí em silêncio, surpresa com o que ouvira.
Nos dias que se seguiram, após entregar as atividades ao Danilo, percebi sua curiosidade diante dos exercícios que estavam na folha. Rapidamente pegava um lápis e tentava fazer, porém a dificuldade que ele tinha em movimentar os dedos, até para segurar o lápis, faziam com que desistisse logo de início. Frente a isso, comecei a observá-lo e qual não foi minha vergonha ao entender que não era o Danilo quem tinha que aprender o que eu propunha, mas eu é que precisava entendê-lo e adequar as atividades ao seu nível de aprendizagem.
Decidi modelar e todo dia deixava que Danilo escolhesse uma cor de massinha para brincar. Para tornar os conteúdos mais fáceis e atrativos, eu trazia músicas e brincadeiras como auxiliares no processo de ensino – aprendizagem. Todos gostavam, inclusive o Danilo, que num rompante, num desses momentos gritou uma das palavras contida na música. Todos pararam de cantar e ficaram perplexos, afinal ele não falava com ninguém, somente balbuciava.
Conhecendo um pouco das dificuldades de Danilo, comecei a buscar atividades que o desafiavam e chamavam sua atenção e que dessa maneira fosse melhorando os resultados. Eu estava feliz e o Danilo mais ainda, pois quando realizava as atividades sentia-se orgulhoso e mostrava para os colegas quando as terminava. Diante disso, construí uma postura de vibrar com ele, cada vez que completava com êxito seus trabalhos.
Gostaria de ter certeza de estar fazendo a inclusão sob todos os aspectos. Acredito na inclusão, mesmo sem certeza de que estou correta nas minhas ações. Tenho consciência das mudanças que causei na vida do Danilo, da autonomia que busco estimulá-lo a usar, da alegria que ele sente ao aprender algo diferente, seja conteúdo ou ações que fazem com que ele se sinta pertencente ao grupo. O Danilo é diferente de todos, eu também, e é nessa premissa que norteio minha ação dentro da sala de aula. Uns tem dificuldades em matemática, outros em língua portuguesa e outros ainda na socialização. A escola é um local de renovação, de mudanças e quebra de paradigmas. A inclusão será somente um nome, se a escola e o professor não estiverem comprometidos com a mudança de atitudes, as quais farão a diferença na vida de alunos que estariam fadados a se conformar com a aprendizagem fragmentada e padronizada, levando à evasão ou ao aumento das estatísticas da educação de jovens e adultos.
O ponto crucial para que a inclusão aconteça, em minha opinião, é a valorização das especificidades de cada um, partir do que a criança já sabe. Não concebo a idéia de que a criança chega na escola sem nenhum conhecimento de leitura e escrita, afinal o que ela pode não saber é codificar e decodificar, mas ler o mundo, mesmo que sob a sua ótica, é um fator que deve ser previsto em todo e qualquer planejamento.
Estou longe de ser uma professora perfeita e, é graças a essa imperfeição que estudo, busco novas alternativas e crio situações para favorecer o aprendizado de meus alunos. Se eu estou no caminho certo, não sei! Apenas acredito que posso ajudar a melhorar a vida dos meus alunos. Não tenho a pretensão de revolucionar o mundo. Só sei que a minha parte naquele momento eu fiz.
A grandiosidade da educação é medida pela consciência e preparo do professor, o qual deve ter em mente, que é dentro de sua sala de aula, em um espaço relativamente minúsculo perante o mundo “lá fora”, é que ele auxilia na construção do eixo que norteia vidas, forma personalidades, presta informações, mede conhecimentos e aprende, com cada um de seus alunos, a importância de cada pessoa para contribuir na construção do mundo.”

Andréia Aparecida Soares Veiga, professora da rede pública de Tatuí/SP.

Ler e comer MudaMundo

No sábado, 12 de setembro, a EMEF Possidônio Salles, de São José dos Campos, teve uma manhã letiva. O motivo principal da data era divulgar o projeto Ler e Comer Muda Mundo, que trata sobre alimentação sadia, horta e compostagem na escola. As atividades foram ampliadas e a diversão do sábado contou também com apresentações de teatro e música e exposição de um jornal mural. Houve também uma palestra sobre saúde com os pais dos alunos e uma oficina de horta e compostagem para os estudantes.

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O projeto Ler e Comer Muda Mundo já faz parte do projeto educativo da escola. Inspirado nas temáticas tratadas pelo MudaMundo (MM) nas histórias do João, a iniciativa é organizada anualmente pela sala de leitura Ilan Brenman, coordenada pela professora Ivani Izidoro. O primeiro passo foi dado em 2013, quando as turmas desenvolveram o projeto Quem Lê Conhece o Mundo, Quem Lê e Escreve Muda Mundo, após participarem das atividades do MudaMundo na cidade. A partir das problemáticas cotidianas vivenciadas pela escola quanto ao desperdício de comida e descarte do lixo reciclável, os estudantes realizaram várias leituras e abordagens sobre o tema. A ideia final era encontrar possíveis soluções, que foram reunidas em um livro  de histórias coletivas e individuais. O livro foi apresentado na Bienal do Livro em São José dos Campos. No ano seguinte, 2014, foi dada continuidade ao mesmo projeto. Os alunos se encarregaram de transformar as histórias do livro, produzido por eles, em fotonovelas e livros digitais.

Este ano, 2015, foi dado um passo a mais. A partir da história da aluna Karine Aparecida Vieira, na qual João e Catarina vão em busca de uma solução para o desperdício de comida na cantina, a escola se uniu para colocar a mão na massa e desenvolver uma ação em prática: idealizaram a criação de uma horta e de uma compostagem no jardim da escola. Com a ajuda de pais e professores, os alunos seguiram um plano para operacionalizar o projeto.

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Primeiro, a história João e Catarina, mudando o mundo! foi compartilhada com todos os alunos, para que pudessem se apropriar do tema e organizarem-se em pequenos grupos. Os alunos foram, então, incentivados a pesquisar e ler materiais sobre os cuidados com as plantas e o solo, sobre as épocas de plantio e insetos. Cada turma ficou encarregada de um tema: os alunos do primeiro ano aprenderam sobre plantio; os do segundo ano, se dedicaram a saber tudo sobre compostagem; o terceiro ano se encarregou de pesquisar os insetos; e as turmas de quarto e quinto ano, ficaram encarregados de descobrir os passos para a reciclagem e compostagem.

A partir disso, a ideia foi posta em prática! As turmas se uniram e, depois de cuidarem da terra como ela precisava, viram nascer os primeiros brotos. Paralelamente, a comunidade de pais e funcionários, bem como profissionais de nutrição, ONGs, Secretaria de Saúde, Secretaria do Meio Ambiente e Secretaria de Serviços Gerais foram convidados a participar do projeto, contribuindo para a ampliação do tema e da conscientização da boa nutrição.

O sucesso do projeto foi confirmado nas atividades do sábado, quando a comunidade participou ativamente das atividades. A EMEF Possidônio Salles seguirá transformando os hábitos alimentares e incentivando o cuidado com o meio ambiente, pois acredita, como a gente, que é possível mudar o mundo!

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Espécie em extinção: o Jacaré de Papo Amarelo

Em Tatuí, a professora Nelcy Almeida, da EMEI Prof. Lygia Rodrigues Del Fiol, de Tatuí, São Paulo, trabalhou com o maternal 2 sobre uma espécie de jacaré que está em extinção, o Jacaré do Papo Amarelo, dentro do tema Meio Ambiente e Cidadania.
Confira o relato da atividade:

“Trabalhamos com o tema meio ambiente, aobre a extinção do jacaré-do-papo-amarelo, uma espécie que pode atingir 3 metros de comprimento. É um animal esverdeado, quase pardacento, com o ventre amarelado e o focinho pouco largo e achatado. O focinho dele é menor do que o das outras espécies. Atrás da cabeça ele tem escamas em fileiras cervicais. Quando os ovos estão para eclodir, os filhotes vocalizam chamando a mãe, que desmancha o ninho usando os membros anteriores e posteriores e o focinho. A fêmea carrega cada um na boca até a água, cuidadosamente.

O macho cuida dos recém-nascidos que já estão na água e os pais permanecem perto dos filhotes, protegendo-os contra os predadores, em especial garças e outras aves grandes. Conscientizar nossos alunos desde pequenos a preservar a natureza, cuidar do nosso planeta orientar sobre os cuidados com o meio ambiente (como a coleta seletiva, não poluir os rios, colocar o lixo no lixo) é muito importante. Se cada um fizer a sua parte teremos um mundo bem melhor.

Tivemos um evento em nossa cidade com leitura de contos,entrega de mudas de árvores, discussões sobre saúde, capoeira e arte. Nessa ocasião, meus alunos apresentaram a canção O Jacaré foi passear la na lagoa.
A apresentação foi muito bonita e a conscientização dessas crianças em prol do nosso planeta nos dá uma satisfação enorme! Um trabalho que vale a pena!”

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História e valores

Confira o relato da prof. Flaviana Romagnollo, de Tatuí, SP. Ela escolheu uma história infantil para trabalhar valores com os alunos.

“Trabalhei um projeto sobre valores com as crianças e para maior entendimento do conteúdo, ilustramos os temas com histórias. A história escolhida foi A Vaidade da Minhoca Lolita, que vai além de uma simples moral, ela abrange também a matemática, os valores, atenção, imaginação, criatividade, entre outros. Após ouvir a história foi feito um reconto da mesma pelas crianças e depois uma atividade no papel, na qual as crianças fizeram desenhos dos elementos do texto. Para terminar, pintaram a minhoca com as cores que formam a história.”

 

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Teatro MudaMundo