Os desafios da descolonização na escola

A educação como o caminho para formar cidadãos críticos e empáticos é o que mobiliza muitos educadores. Para a professora Márcia Luísa Tomazzoni, não é diferente. Por isso, além do diálogo com as várias disciplinas, a professora, licenciada em Filosofia, encontrou na vivência com outras culturas a possibilidade de aprofundar o conhecimento sobre os povos originários e sua contribuição para a reflexão crítica sobre a maneira como vivemos em sociedade.

Por meio da vivência com culturas indígenas, descobriu os direitos e a realidade de diversas comunidades no Rio Grande do Sul e se propôs a desenvolver um trabalho anticolonialista e intercultural em escolas indígenas.

Dessa experiência, veio o desejo de aprofundar o conhecimento e a reflexão sobre as narrativas de descolonização, tema de seu trabalho no doutorado em curso na UFRGS. Para saber um pouco mais sobre as escolas indígenas, acompanhe a entrevista completa, aqui.

Educação é amor e envolvimento

Ainda vamos levar um tempo para mensurar os efeitos da pandemia nas crianças e, também, nos professores. Para além dos conteúdos que não foram vistos durante os dois anos em que não frequentaram a escola, as crianças e os professores retornam com perdas, ansiedade e com muitas dificuldades.

A professora de Porto Alegre (RS), Elione da Silva Moraes, relata que o professor está sendo provocado a buscar diferentes estratégias para captar a atenção das crianças e atender às diversas necessidades. “Tenho duas turmas de 5° ano e tenho crianças que ainda não leem, e outras com outras dificuldades”, relata com preocupação.

Além dos desafios da retomada das aulas presenciais, Elione compartilha a emoção de ser professor e a superação de suas vulnerabilidades durante a pandemia. “Foi o pior período da minha vida, mas eu me reinventei”, confessa com orgulho.

Para saber mais da trajetória da professora e da emoção que a mobiliza todos os dias na sala de aula, acompanhe a conversa completa, aqui.

Um incentivo para o protagonismo das crianças

Quase todo projeto político pedagógico escolar preconiza o favorecimento do protagonismo das crianças. Fomentar essa atitude perante o mundo é uma questão de cidadania – de apostar que as crianças são portadoras de conhecimento e, podem sim, vislumbrar soluções para os seus problemas – ou, até, para os problemas do mundo.

Para a professora de Esteio (RS), Clacione Inez da Silva Borges, esse desafio começa já no processo de alfabetização, no qual a criança vai se autorizando na caminhada, amadurecendo e ganhando cada vez mais autonomia.

Há vários temas trabalhados pela professora para incentivar o protagonismo e, sempre, têm que fazer sentido para a realidade dos alunos, precisam ser concretos. Uma das ideias de Clacione, por exemplo, foi relacionado às eleições.

Seus alunos foram convidados a participar do processo, criando título eleitoral e simulando todas as etapas de uma eleição. A professora reforça a importância de que as crianças entendam o que estão vendo na televisão, por exemplo, que possam ter uma compreensão crítica e saibam o que está acontecendo.

Se você também se interessa pelo tema, confira a entrevista completa com a professora no canal do youtube do MudaMundo. Ela é cheia de ideias e traz muitos exemplos inspiradores. Confira em:

Educação: caminho para equidade

Um dos temas mais relevantes para quem quer mudar o mundo é, sem dúvida, o combate ao racismo. No mês de novembro, em função do Dia da Consciência Negra, o tema é destaque na mídia, mas para quem sofre preconceito ou o condena sabe que todos os dias são dias de combatê-lo.

Infelizmente minimizado ou banalizado por quem teve o privilégio de não sofrer preconceito, o racismo se manifesta em pequenos atos, em palavras e falas que podem marcar negativamente a vida de uma pessoa. Crescida em meio à humilhação e ao preconceito, a professora Kátia Conceição de Jesus Vida não encontrava na sua infância explicações para isso, os livros não retratavam sua história e não contavam a beleza de sua ancestralidade.

Para a professora, a educação é o caminho para favorecer a equidade, e ela acredita que o estudo, associado à prática, são as principais ferramentas para agir de forma antirracista. Kátia trabalha com educação antirracista na educação infantil com bebês – para ela é o jeito de munir, desde cedo, as crianças de conhecimento sobre o tema para que enfrentem essa batalha com argumentos e não com a força, como ela mesmo diz ter recorrido quando pequena.

Confira a conversa completa com a Kátia aqui:

Uma professora semeadora de mudança

A vontade de mudar o mundo sempre esteve presente na vida da professora de Lages (SC), Conceição Aparecida de Jesus da Silva. Desde muito pequena esse era o seu sonho – ela sabia que a escola era o lugar certo para semear a mudança.

Uma das atividades que desenvolve sempre com seus alunos é motivá-los a olhar o entorno, a sua comunidade. Para ela, há muito conhecimento nas experiências das famílias e dos vizinhos, que precisam ser apropriadas pelas crianças. “Muitas vezes, eles não conhecem as histórias de suas famílias”, revela a professora. Com essa atividade, há um resgate dos saberes e é estimulado o senso de pertencimento, que, segundo Conceição, são fundamentais para favorecer o protagonismo. “Eles mesmos podem buscar soluções para o lixo nas ruas”, exemplifica.

Essa atividade, aparentemente tão simples, traz também outros resultados e desdobramentos. Conceição conta que a partir do resgate das histórias familiares, as crianças sentiram-se motivadas a escrever um livro. Segundo ela, muitos não tinham a prática da escrita e perceberam a importância deles e de suas histórias.

Se você gostou desse relato tão encantador e potente, confira a entrevista completa.

De volta à Mossoró/RN

O MudaMundo retorna à cidade para realizar a segunda etapa das atividades, de 19 a 30 de outubro.

A partir do trabalho desenvolvido no mês de maio de 2015, com os educadores da rede pública de ensino deMossoró, a equipe do projeto dará continuidade às atividades a partir desta segunda-feira. Na segunda etapa, serão realizadas as Oficinas de Sensibilização módulo 2, com relatos de boas práticas, e a Oficina de Educomunicação. O teatro MudaMundo será apresentado para as escolas que não foram contempladas na primeira etapa.

De 19 a  23 de outubro, sempre às 19h, no Auditório Prefeito Alcides Belo, serão realizadas as oficinas de módulo 2. Esta atividade prevê a participação dos professores da rede, que contribuirão para o encontro relatando atividades que tenham desenvolvido em suas salas de aula a partir do MudaMundo, ou não. O objetivo central desta oficina é proporcionar um momento aberto de troca de experiências, no qual boas ideias possam ser compartilhadas, replicadas e, assim, multiplicadas. Já estão confirmadas a participação de 20 escolas ao longo da semana, que contarão suas histórias de como começar a mudar o mundo a partir da escola.

Na semana seguinte, de 26 a 30 de outubro, será a vez da Oficina de Educomunicação tomar forma na cidade, também às 19h, no Auditório Prefeito Alcides Belo. O terceiro módulo que compõe o projeto MudaMundo pretende trabalhar com os professores a partir do conceito de educomunicação, ou seja, a educação aliada à comunicação. Já pensou em como os meios de comunicação podem auxiliar no desenvolvimento dos conteúdos da sala de aula? Ou em como eles podem estimular o envolvimento do aluno? Não é preciso ter um estúdio de televisão, de rádio ou uma estrutura de jornal para utilizar a comunicação na sala de aula. As ideias mais simples e que estão ao nosso alcance podem transformar a forma de nos relacionarmos com o mundo da comunicação que nos rodeia. A Oficina de Educomunicação tem como objetivo aproximar a comunicação da sala de aula.

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O Teatro MudaMundo acontecerá de 19 a 23 de outubro, contemplando escolas que não receberam a peça na primeira etapa do projeto.

Em caráter extra, será apresentada uma Oficina de Sensibilização módulo 1, voltada para a equipe de inclusão da Secretaria Municipal de Educação de Mossoró. Na ocasião, o projeto entregará uma cópia do livro MudaMundo em Braille.

Em maio, quando o projeto esteve na cidade, o MudaMundo atingiu diretamente 30 escolas municipais, 4.044 crianças e 285 educadores.