Amor e empatia na Educação

Ser professor está longe de ser uma atividade simples. É complexa e desafiadora, pois a cada nova turma, novas situações se apresentam. O professor está sempre em formação.

Para a professora de Conceição do Jacuípe (BA), Nilma de Jesus Barros, esse processo não cessa na graduação ou no mestrado, segue no dia a dia da escola. Os educadores aprendem com cada aluno e com cada colega.

Professora de ensino fundamental e coordenadora em várias escolas, Nilma justifica a sua jornada extensa pelo envolvimento. “Perguntam-me como eu aguento, mas não é aguentar, é se envolver, colocar amor, empatia e sentimentos. Quando colocamos sentimentos, damos leveza a nossa prática”, ressalta, revelando convicção em sua atuação.

A professora baiana acredita, também, que as questões socioemocionais estão sendo especialmente importantes no retorno das crianças após o período de distanciamento social. Para ela, o acolhimento tem sido o mais importante no retorno à escola, e a escuta feita com as crianças, a principal ferramenta.

Na conversa com Nilma, mais sobre o retorno às aulas e os desafios dos professore brasileiros. Acompanhe aqui.

A escola e a educação indígenas

A importância da educação escolar e da educação informal indígenas são equivalentes. Ambas têm que ser preservadas e garantidas como direito. A doutoranda em Educação pela UFRGS, advogada e fundadora do Instituto Kaingáng, Susana Kaingáng, relata que, a partir de sua experiência na universidade, a necessidade de refletir e resgatar suas raízes se fortaleceu.

Instigada a partilhar sua cultura ancestral, percebeu o quanto era fundamental valorizar os saberes de sua avó, por exemplo. “Muitas coisas eram tão comuns que eu não questionava, não perguntava. Como eu deixei de perguntar certas coisas para a minha avó…”, reflete a educadora. No Instituto, uma das linhas de atuação é exatamente a valorização dos saberes dos anciãos, que participam ativamente das ações da instituição.

Na conversa com a Susana, além da educação escolar indígena, um dos temas tratados é a relevância do resgate de valores. Os indígenas, influenciados pela cultura não-indígena, também precisam valorizar e retomar seus valores ancestrais – minimizados (ou apagados) pela colonização.
Confira a conversa completa com a educadora aqui:

Pedagogia da vida prática

Como transpor os projetos e a pesquisa para a realidade online? Em busca de respostas para essa indagação, a professora de Camaquã (RS), Cristiane de Ávila Lopes, propôs, durante a pandemia, a realização de tarefas cotidianas de forma virtual e compartilhada por todos. Com isso, envolveu as famílias e criou momentos de pura integração, como no chá feito por videoconferência. Cada aluno e seus familiares prepararam chá, bolo e o que tinham em casa para compartilharem um momento coletivo de troca e aprendizagem.

Para a professora Cristiane, foi uma oportunidade de exercitar a presença, mesmo que de forma virtual. “Muito além do conteúdo, nossa preocupação era com a solidão e a tristeza de muitas crianças” e, segundo ela, a realização desses encontros como chá, tertúlias, festa julina e outros foi fundamental para a manutenção do vínculo com seus alunos.
Vínculo com crianças e com as famílias, que devem perdurar mesmo com o retorno das atividades presenciais. Cristiane acredita que esse elo foi criado e intensificado, e essa é uma das grandes reflexões feita pela escola – “nós não conhecíamos tanto a realidade de nossas crianças, suas casas e suas condições de vida, e o online nos proporcionou isso.”

Confira mais ideias inspiradoras da professora Cristiane, na conversa com Christiane Ostermann, aqui:

Um incentivo para o protagonismo das crianças

Quase todo projeto político pedagógico escolar preconiza o favorecimento do protagonismo das crianças. Fomentar essa atitude perante o mundo é uma questão de cidadania – de apostar que as crianças são portadoras de conhecimento e, podem sim, vislumbrar soluções para os seus problemas – ou, até, para os problemas do mundo.

Para a professora de Esteio (RS), Clacione Inez da Silva Borges, esse desafio começa já no processo de alfabetização, no qual a criança vai se autorizando na caminhada, amadurecendo e ganhando cada vez mais autonomia.

Há vários temas trabalhados pela professora para incentivar o protagonismo e, sempre, têm que fazer sentido para a realidade dos alunos, precisam ser concretos. Uma das ideias de Clacione, por exemplo, foi relacionado às eleições.

Seus alunos foram convidados a participar do processo, criando título eleitoral e simulando todas as etapas de uma eleição. A professora reforça a importância de que as crianças entendam o que estão vendo na televisão, por exemplo, que possam ter uma compreensão crítica e saibam o que está acontecendo.

Se você também se interessa pelo tema, confira a entrevista completa com a professora no canal do youtube do MudaMundo. Ela é cheia de ideias e traz muitos exemplos inspiradores. Confira em:

A escola como o melhor lugar do mundo

Pensar a escola como um ambiente acolhedor e como um exemplo de um mundo melhor é uma realidade para a professora e diretora Elizângela Mendonça. Para ela, estar em meio à natureza oferece oportunidades de trabalhar o pertencimento, o respeito e formar cidadãos que cuidem de seus territórios.

Localizada em uma área de preservação ambiental, em Rio Brando (AC), em função de ocupações e do crescimento da cidade, a escola viu, cada vez mais, a violência presente na realidade de seus alunos. Por isso, o esforço não só de acolher e valorizar o local, mas de oferecer um ambiente diferente – uma escola viva e em que todos queiram estar.

Além do cuidado com o meio ambiente, a diretora preocupa-se em desenvolver estratégias para vivenciar práticas antirracistas, já que, assim como a valorização do ambiente onde estão inseridos, é importante que os alunos se sintam pertencentes e reconhecidos por toda a comunidade escolar. “É na escola que eles podem encontrar uma visão de mundo melhor.”

Para isso, Elizângela entende que todos os profissionais da escola precisam estar imbuídos do mesmo propósito e que todos educam – o porteiro, a merendeira, a moça da limpeza, os professores e a diretora. Para alinhar esses valores, ela acredita que o caminho é sempre fazer o melhor possível. “É a nossa prática que vai fazer a mudança, a nossa vontade de fazer”, acredita a diretora.

Confira a entrevista completa com Elizângela Mendonça aqui:

Educação e arte transformam pessoas

Falar que a arte transforma vidas é quase um chavão. Mas é verdade. A multiartista Érica Lima acredita na educação e na arte como processos de transformação das pessoas. Segundo ela, mais do que o resultado, o que é interessante é o processo da arte, que transforma o sujeito.

Interessada e pesquisadora da literatura para as infâncias, Érica aborda o tema por diversos pontos de vista e, um deles, é o da infância como linguagem. “Essa potência da fala que o artista busca, que o poeta busca e que o compositor de música está em contato é o que a criança tem em relação à linguagem – uma experiência. A criança já é poeta e filósofa, ela tem uma relação com a língua que o adulto vai perdendo.”

Para Érica, a infância é a potência de fala, e a linguagem é a experiência de ser humano. Segundo ela, professores podem aprender muito com as crianças se estiverem abertos e sensíveis ao que acontece com elas quando expostas à literatura, à arte, ao teatro, quando criam. É uma oportunidade de se reconectar com a experiência de linguagem que a infância é, de se maravilhar com tudo.

Se você gostou das ideias da Érica Lima, vai se encantar com a conversa para o MudaMundo TamoJunto. Confira  aqui.